Desequilíbrio hormonal: 5 nutrientes para acabar de vez com o desânimo e falta de energia

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Por  Ana Carolina Rocha  |  Nutricionista - (CRN3 - 48025) Publicado em 20 de março de 2019 | Atualizado em 20 de março de 2019

Desequilíbrio hormonal: você sabia que o desânimo e falta de energia do dia-a-dia pode estar muitas vezes ligado a uma desarmonia dos nossos hormônios? Conheça 5 nutrientes para balancear os hormônios e dizer adeus ao desânimo e falta de energia!

Cansaço, desânimo… tem vezes que a falta de energia simplesmente começa a fazer parte do nosso dia a dia e não sabemos qual a causa. Esses sintomas podem ser muito mais do que uma noite mal dormida! Existem hormônios que controlam nosso metabolismo e, quando desbalanceados, podem causar essa falta de energia.

Venha saber um pouco mais sobre como podemos, através da alimentação, auxiliar no equilíbrio hormonal.

O que são hormônios?

Hormônios são substâncias químicas produzidas pelo nosso corpo, que possuem efeitos específicos que controlam o funcionamento do nosso metabolismo.

O sistema endócrino é responsável por sintetizar e regular os hormônios do ser humano, que produz cerca de 50 tipos de hormônios diferentes. Entre eles podemos destacar: hormônio do crescimento (GH), antidiurético (ADH), tiroxina (T4), adrenalina, glucagon, insulina, estrogênio, progesterona, prolactina, testosterona, melatonina.

Os hormônios podem ser sintetizados por glândulas específicas, como também pelo tecido adiposo (nossa camada de gordura).

O que causa a falta de energia?

o que causa a falta de energia

A falta de energia pode ser causada por diversos fatores, desde patológicos – como uma deficiência nutricional (anemia), como simplesmente uma noite de sono mal dormida.

Quando o cansaço tem duração de muitos dias, é necessário que um médico seja consultado para que doenças sejam descartadas.

No entanto, o foco de nosso artigo será sobre a falta de energia relacionada com o desequilíbrio hormonal.

Como o desequilíbrio hormonal está relacionado com a falta de energia?

Ciclo Circadiano

Em todos nós existe um relógio biológico, chamado ciclo circadiano. Ele funciona regulando os períodos de sonolência e alerta (quando estamos acordados).

Os principais hormônios ligados ao ciclo circadiano são o cortisol e a melatonina.

A melatonina controla o nosso sono, ela é estimulada com o grau de luminosidade ao qual estamos expostos: quanto menor a luminosidade, mais estímulo para secreção de melatonina nosso corpo tem – o efeito é o nosso sono e relaxamento.

No entanto, no mundo atual temos a energia elétrica que proporciona um maior estímulo de luminosidade para nós – seja através da lâmpada, celular ou da televisão. Esse estímulo constante já é suficiente para proporcionar uma alteração na nossa secreção hormonal.

Por isso, muitos profissionais da saúde recomendam que atividades leves, como leitura, antes de dormir para pessoas com problemas de insônia.

O cortisol é um hormônio que está relacionado com o estresse, sua liberação é estimulada com a luminosidade também, mas principalmente por eventos que desencadeiem algum tipo de ansiedade em nós.

Existe um balanço hormonal que é feito no ciclo circadiano: quando a melatonina está alta, o cortisol está baixo – e vice-versa. Uma alteração neste balanço pode provocar alterações no sono e consequentemente provocar falta de energia durante o dia.

Mas por que o ciclo circadiano está relacionado a falta de energia?

Isso ocorre pois o sono é essencial para promover o descanso da mente e do corpo, quando temos uma alteração nesse ciclo, temos alterações também em nossa energia, humor, desequilíbrio hormonal, apetite e até no desempenho mental.

Sendo assim, o ciclo circadiano é essencial para manter o bom funcionamento do metabolismo.

Outros hormônios

Além dos hormônios relacionados ao ciclo circadiano, existem outros que, se em desequilíbrio causam fadiga.

Por este motivo, ao sentir um cansaço excessivo é importante consultar um profissional da saúde e fazer um check-uppara que possa ser avaliado todas as alternativas as quais podem causar este desânimo.

Alguns exemplos que também podem ser a causa de cansaço excessivo:

Progesterona – somente encontrado nas mulheres, tem função relaxante, mas caso tenha um desequilíbrio, aumenta o estresse.

Hormônios da tireoide – estes hormônios são importantes na regulação do metabolismo por completo. Quando há um desequilíbrio na produção hormonal, duas patologias comuns são o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, que retardam ou aceleram o metabolismo, tendo um dos sintomas a falta de energia.

É importante enfatizar que o desequilíbrio hormonal pode causar, ou ser causado, por patologias e, nesses casos é necessário um tratamento e acompanhamento médico. Por isso, antes de iniciar qualquer dieta ou tratamento, consulte um profissional da saúde.

Como a alimentação interfere no metabolismo?

como a alimentação interfere no metabolismo

Já sabemos que uma boa alimentação, equilibrada com todos os grupos alimentares, é essencial para o bom funcionamento do metabolismo. Mas como isso ocorre?

O metabolismo nada mais é do que reações químicas constantes que acontecem no nosso corpo para a produção de outras substâncias e energia.

Existem alimentos que aceleram ou desaceleram essas reações químicas, e alimentos que estimulam ou desestimulam reações específicas, como a síntese de hormônios, por exemplo.

Pode parecer estranho falar da importância do consumo de gordura, em um momento em que este nutriente é tão criticado. Contudo, o consumo balanceado de gorduras tem um efeito positivo no controle hormonal, através da regulação do metabolismo dessas substâncias no corpo.

Gordura boa ou gordura ruim?

A gordura, também conhecida como lipídeo, é um dos macronutrientes base de nossa alimentação. Sua função principal é o fornecimento de energia (1g de gordura = 9kcal, enquanto 1g de carboidrato = 4kcal), mas ela também possui diversas outras funções no corpo como: transporte de algumas vitaminas, produção hormonal, regulação do metabolismo, redução da inflamação causada pelo estresse.

Existem diversos tipos de gordura nos alimentos, as mais saudáveis para nossa rotina alimentar são as gorduras insaturadas, cujas fontes são: sementes, oleaginosas, azeite de oliva, abacate, entre outras. Estas gorduras podem ser divididas ainda em dois grupos: poli-insaturadas (reduz os riscos de inflamação causados pelo estresse) e monoinsaturadas (controle do colesterol).

Vamos esclarecer que, neste artigo, trataremos o termo “gordura ruim” como aquela que não traz benefícios para a saúde.

Sendo assim, dentre os tipos de gorduras encontrados na alimentação, podemos considerar somente a gordura transcomo uma “gordura ruim”. Todas as outras, inclusive a saturada, tem um papel em nosso metabolismo – o importante é saber dosar seu consumo de acordo com o mínimo necessário para se ter os efeitos desejados.

5 nutrientes que auxiliam no controle hormonal

5 nutrientes que auxiliam no controle hormonal

Ômega 3

São ácidos graxos essenciais, pois não são sintetizados pelo corpo, e tem como função serem antiinflamatórios, além de regularem hormônios relacionados à ansiedade, e controlar e produzir hormônios que fazem o relaxamento e contração das paredes das artérias.

Encontrado em peixes de água fria (como o salmão e o atum), sementes (chia e linhaça), castanhas, na soja e em alguns óleos vegetais (azeite, óleo de milho e girassol).

Ômega 9

Este ácido graxo tem ação direta na produção de hormônios sexuais, como a testosterona e o estrogênio, faz parte da composição das membranas celulares e também tem atuação no metabolismo das vitaminas A, D, E e K. Suas fontes alimentares são: abacate, azeite de oliva extra virgem, azeitona e oleaginosas.

Ácidos graxos de cadeia curta (AGCC)

Moléculas simples que são produzidas em nosso próprio intestino através da fermentação de fibras feita pela microbiota intestinal.

Alguns exemplos são o acetato, propionato e butirato. Essas substâncias são rapidamente absorvidas pelo intestino, aumentando a absorção de sódio e água.

Possuem diversas funções no organismo, como a melhora do sistema imunológico, fornecimento de energia para o organismo, diminuições da concentração de amônia e uréia no sangue, auxilia no trânsito intestinal, possui efeitos benéficos sobre o metabolismo de lipídeos, vitamina K2 e B12 e no equilíbrio hormonal.

Ácidos graxos de cadeia média (AGCM ou MCT)

Substâncias de cadeia simples que também são facilmente absorvidos no intestino. Uma das principais fontes de ácidos graxos de cadeia média é o óleo de coco.

Dentre as principais funções dos MCT, podemos destacar sua atuação no aumente da saciedade, redução da ansiedade e modulação dos hormônios GLP-1 e PYY, que influenciam a ingestão alimentar. Assim como toda gordura, eles também fornecem energia.

Ácido gamalinolênico (GLA)

Ácido graxo tri-insaturado da família ômega 6, que consegue ser produzido pelo corpo através do ácido linoléico e é muito utilizado no tratamento da TPM e da menopausa, pois auxilia na regulação dos níveis de hormônios femininos, como a progesterona. Suas fontes principais são o óleo de borragem, onagra e de prímula.

Quanto devo ingerir por dia?

Não há consenso científico sobre a quantidade mínima de ácidos graxos que devem ser ingerida para que se tenha efeitos positivos na regulação hormonal. No entanto, uma alimentação balanceada e rica nos alimentos fonte desses nutrientes principais já garantem uma boa regulação metabólica.

Em uma dieta equilibrada, o recomendado para população em geral para o consumo de gorduras totais é de no máximo 30% do valor calórico da dieta.

O GLA é encontrado somente na forma de suplemento alimentar, pois não há fontes alimentares disponíveis nos alimentos que normalmente consumimos.

Existem também suplementos alimentares com os outros nutrientes, para facilitar seu consumo no dia-a-dia. No entanto, caso seja possível se alimentar dos alimentos fontes destes nutrientes, é mais aconselhável.

Consumir suplementos de ácidos graxos engorda?

Não, o consumo por si só de suplementação desses nutrientes não causa aumento do peso. O principal fator que leva ao ganho dos quilinhos extra é o desbalanço entre as calorias consumidas e gastas ao longo do dia. Os suplementos alimentares são feitos com a intenção de suprir possíveis deficiências nutricionais causadas pela alimentação insuficiente.

Conclusão

A falta de energia pode ter diversas causas, sendo uma delas o desequilíbrio hormonal. O equilíbrio dessa substância no corpo faz com que tenhamos um melhor desempenho metabólico e, com isso, o reestabelecimento de nossa energia diária.

Uma das formas de se equilibrar os hormônios, quando esse desequilíbrio não está associado a patologias específicas – como o hipotireoidismo, pode ser feito através da alimentação equilibrada de gorduras.

As gorduras não são maléficas ao nosso corpo se seu consumo for feito de maneira moderada. Algumas das gorduras que auxiliam no controle hormonal são: Ômega 3, Ômega 9, Ácidos graxos de cadeia curta, Ácidos graxos de cadeia média e o GLA.

Consulte um profissional da saúde para que ele diagnostique a causa da falta de energia e auxilie nas melhores condutas dietéticas para controlar o desequilíbrio hormonal, caso necessário.

Ana Carolina Rocha

Nutricionista

Nutricionista pela UNICAMP e pós-graduanda em Desenvolvimento de Produtos pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Estudou um ano de nutrição na Ulster University - Reino Unido. Atua como Personal Diet na área clínica e estética e acredita que os alimentos são fonte de saúde e felicidade para as pessoas.

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