Emagrecimento comportamental: saiba tudo sobre o método, tido por especialistas, como o mais eficiente e sustentável

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Por  Aline Marques  |  Nutricionista - CRN3 - 46439 Publicado em 24 de junho de 2019 | Atualizado em 24 de junho de 2019

O emagrecimento comportamental surgiu como um jeito diferente e inovador da Nutrição e inclui aspectos fisiológicos, sociais e emocionais da alimentação, além de promover mudanças na relação nutricionista e paciente e também na comunicação da mídia e da indústria com seus consumidores.

Muito além do cardápio baseado em redução de calorias e emagrecimento, a ideia de nutrição comportamental e, principalmente emagrecimento comportamental, ajudam o profissional a aumentar a adesão do paciente ao tratamento.

Como surgiu o emagrecimento comportamental

Embora os temas nutrição e alimentação estejam mais comuns, com informações mais acessíveis, ainda persiste a visão restrita e dicotômica do saudável e não saudável, dos alimentos classificados isoladamente como bons ou ruins, categorizados pelos seus nutrientes e, com a culpa associada ao prazer em comer.

O fato é que a nutrição se tornou “nutricionismo”, um jeito de doutrinar a alimentação com foco nos nutrientes apenas, sem dar importância ao alimento como um todo. O “nutricionismo” vende a ideia inadequada de que, adicionando nutrientes a qualquer coisa, essa coisa se torna alimento.

Com a busca incessante pelo emagrecimento, surgiram (e ainda surgem) muitas dietas restritivas que geram, na maioria das vezes, transtornos relacionados à alimentação, como a compulsão, anorexia e bulimia.

A nutrição comportamental se desenvolveu através do contato com estes transtornos e a base da abordagem foi elaborada por profissionais que lidam com pacientes muito resistentes e que não aderiam à prescrição.

Como são as consultas com base na nutrição comportamental

como são as consultas com base na nutrição comportamental

As consultas com base na nutrição comportamental são mais semelhantes a sessões de terapia, com tratamentos que visam à reeducação alimentar, trabalhando com traumas, medos e quadros de ansiedade relacionados à comida.

A abordagem para o emagrecimento comportamental não coloca a perda de peso como objetivo principal – é claro que o peso é monitorado – mas, a perda acaba sendo uma consequência do tratamento de outros comportamentos disfuncionais.

Para a nutrição e emagrecimento baseados no comportamento, o maior problema é abordar a alimentação apenas em sua questão biológica, que considera o comer somente uma decisão racional, ignorando outros componentes como os aspectos emocionais, culturais e sociais. A comida tem um papel que vai além da visão tecnicista e nutricional.

Emagrecimento comportamental e o Mindful Eating

O Mindful Eating ou o comer com atenção plena traz a ideia de estar no momento presente, consciente do corpo, dos pensamentos, das sensações, sentindo aromas, texturas e sabores dos alimentos.

É possível reconhecer e diferenciar quando se está com fome ou com vontade de comer, se a fome que está se sentindo é física ou emocional e/ou psicológica (nutrir ou buscar um conforto na alimentação) e também é saber quando se está na hora de parar de comer, atendendo aos sinais de saciedade.

Em estudo feito pela Universidade de Warwick, na Inglaterra, pesquisadores avaliaram o emagrecimento de cinquenta e três (53) pessoas num programa multidisciplinar de controle de peso que contava como método a atenção plena.

A pesquisa conclui que aqueles participantes que completaram o curso se sentiam mais aptos a planejar as refeições e estavam mais confiantes no autogerenciamento da perda de peso. Assim, atenção plena durante o comer pode melhorar um comportamento alimentar problemático.

Muitos outros estudos demonstram os benefícios do Mindful Eating, alguns como voltar a sentir e explorar novos ou antigos sabores dos alimentos, redução de episódios de compulsão alimentar, e também o emagrecimento. Como o emagrecimento comportamental pede uma mudança de comportamento na hora da alimentação, o Mindful Eating torna-se uma prática essencial para o processo.

Como ocorre a perda de peso no emagrecimento comportamental?

O principal foco da abordagem é o resgate do prazer em se alimentar, tornando mais saudável a relação com o alimento e, por isso, a perda de peso não acontece de maneira tão imediata como é o caso de algumas dietas. Porém, isso não significa que a perda de peso seja inexistente.

A diminuição do peso na balança é uma consequência do autoconhecimento. Ao aprender a lidar e identificar as emoções e a não buscar na alimentação um consolo a estas questões, o estresse e a ansiedade já não mais fazem parte da rotina e a perda de peso se liga diretamente à essa atitude.

Ou seja, a perda de peso, dentro do emagrecimento comportamental, se dá por consequência de uma série de atitudes e de comportamento que se modificam.

Em um primeiro momento, a ideia da perda de peso no emagrecimento comportamental pode parecer distante, afinal, existe uma “não dieta”, ou seja, a pessoa não precisará cortar nenhum alimento ou grupo alimentar de sua rotina, apenas aprenderá a fazer as escolhas certas nos momentos certos, entendendo e respeitando as necessidades e reações do corpo.

O emagrecimento comportamental não é um tipo de dieta?

o emagrecimento comportamental não é um tipo de dieta

Não, o emagrecimento comportamental não é e nem se assemelha a alguma dieta restritiva. Na verdade, quando profissional e paciente aderem ao método, as principais estratégias serão a orientação nutricional e a comunicação.

A relação paciente e alimento será entendida e somente a partir de então o profissional estabelecerá uma orientação eficaz para aquela situação.

Diferentemente de uma dieta na qual a restrição é a principal estratégia, o emagrecimento comportamental irá se basear na relação da pessoa com o alimento e como esse interage com o corpo.

A abordagem defende a real importância de entender como se come e não o que se come e quantas calorias está consumindo.

Onde se come, com quem se come e quais os sentimentos e dificuldades presentes também fazem parte da estratégia.

Então, não existe um plano alimentar a ser seguido? Não exatamente. A orientação nutricional será baseada em estratégias que tornem possíveis as mudanças de comportamento e também a melhora na relação com o alimento.

Por que a nutrição e emagrecimento comportamental não acreditam em dietas?

Quando pensamos em dieta logo associamos que será algo temporário e que essa dieta será baseada na restrição.

Quanto mais restritiva a dieta, mais carente de nutrientes ficará o corpo. É muito comum ouvirmos que a pessoa que começou a fazer dieta precisava “fechar a boca”.

Na verdade, o que é necessário ao emagrecimento é justamente o contrário. Saber abrir a boca na hora certa, do jeito certo e para as coisas certas certamente traz mais eficiência ao processo do que a restrição total ou parcial de alimentos ou grupos de alimentos.

Enquanto se está de dieta, o emagrecimento ocorre. Porém, ao voltar para a alimentação normal, o efeito sanfona acontece e engorda-se tanto quanto ou além do que se perdeu, trazendo um grande sentimento de frustração, diminuindo a autoestima e levando ao pensamento de que “eu não consigo fazer dieta porque não tenho foco”.

O que acontece no nosso quanto estamos em dieta?

De maneira bioquímica, quando submetemos o corpo à uma dieta, estamos causando um estresse dando ao corpo menos combustível do que ele estava acostumado. Esse combustível pode ser reduzido por uma restrição calórica, redução de açúcares e carboidratos ou também um aumento da proteína e redução de demais nutrientes. Com essa restrição, o corpo entra em alerta.

O metabolismo reduz para que o corpo consiga sobreviver com a restrição. Ao mesmo tempo, a sensação e sinalização da fome aumenta, isso porque o corpo requer aquele combustível perdido.

A vontade de carboidratos está aumentada, isso porque tal grupo fornece uma energia mais rápida e, o corpo entende que precisa dessa energia e aciona essa sensação.

A ideia de que comer menos irá queimar mais gordura corporal, favorecendo o emagrecimento, acompanha a população há anos.

No entanto, o que acontece de fato é que, ao comer menos o corpo pensa em manter o estoque de gordura e utiliza outras fontes de reserva, normalmente água e proteína. Por perder essas reservas, é comum que o corpo desinche e tenha-se uma falsa sensação de emagrecimento.

A nutrição e emagrecimento comportamental explicam que o que acontece em seguida é que, com toda a restrição, é possível que criemos uma obsessão pelo alimento restringido e que esse pode ser o gatilho para os transtornos alimentares.

Ao sair da dieta e se permitir consumir aquele “alimento proibido” muitas vezes o consumo não será apenas para saciar à vontade e se torna algo do tipo: “não sei quando irei comer de novo então vou aproveitar”.

Uma das linhas da nutrição e emagrecimento comportamental trabalha com a questão da nutrição consciente, que consiste em ouvir as vontades do corpo e entender quais são as necessidades alimentares sem que exista culpa em se alimentar, até porque, essa é feita de maneira consciente, tanto para o corpo como para a mente.

O emagrecimento comportamental e a relação saudável com a comida

o emagrecimento comportamental e a relação saudável com a comida

Cada vez mais surgem dietas ou tendências que categorizam um alimento como saudável ou não saudável. Assim desencadeia-se um comportamento de transformar a comida em vilã, uma vez que está é vista apenas como um conjunto de calorias que não beneficia o emagrecimento.

A estratégia de entender os sinais do corpo, como fome, saciedade e outros aspectos emocionais, sociais e fisiológicos permite o entendimento da real função do alimento no corpo, deixando um vínculo saudável com a comida e reestabelecendo o prazer em comer.

Quem pode se beneficiar do emagrecimento comportamental

Alguns estudos têm demonstrado que as técnicas de emagrecimento comportamental têm sido as mais eficazes no que diz respeito à perda de peso e resolução de transtornos e relações complicadas com a comida.

Existem muitos profissionais que estão aderindo ao método da nutrição e emagrecimento comportamental e estão aptos a atender, compreender a relação do paciente com a comida e auxilia-lo no processo.

As abordagens incentivam o comer de forma intuitiva e contribuem para o abandono de práticas não saudáveis para controle de peso, também melhoram a prática de atividade física e estado mental, enfatizando um consumo alimentar não restritivo, aceitação corporal e foco na saúde e não exclusivamente na perda de peso.

Colocando o emagrecimento comportamental em prática

A melhor opção sempre é procurar um profissional da área que irá entender a relação do paciente com a comida e passar orientações de maneira personalizada e individual, estabelecendo o melhor vínculo para aquela relação.

No entanto, algumas pequenas mudanças de comportamento são comuns e essenciais para o emagrecimento comportamental e podem ser pensadas na hora de se alimentar:

  1. Observe seu corpo: preste atenção aos sinais como: roncar do estômago, sensação de energia baixa, estresse, satisfação alimentar, sensação de estômago cheio ou estômago vazio;
  2. Esteja presente na hora das refeições: desligue televisão, celular, sente-se de maneira adequada e enquanto comer, apenas coma, dedique-se a isso;
  3. Saboreie: note aromas, texturas e sabores: esse alimento é crocante, é doce, salgado, apimentado? Perceba quais alimentos te dão fome, vontade ou te saciam mais;
  4. Planeje a sua rotina para se alimentar com calma e em um lugar tranquilo;
  5. Diminua o excesso de informação na hora de se alimentar.

Conclusão

O emagrecimento comportamental tem se mostrado o jeito mais eficaz de se perder peso e também tem benefícios maiores no que diz respeito à aceitação do corpo, relação da pessoa com o alimento e saúde e bem-estar mental.

Muitos profissionais já começaram a seguir tal conduta em suas práticas clínicas e cada vez mais pessoas têm aderido à essa nova abordagem.

Procure sempre um profissional que entenda as suas necessidades e que te proporcione o real conhecimento sobre o que o alimento como um todo promoverá no seu corpo.

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Aline Marques

Nutricionista

Graduada em Nutrição pela UNICAMP e pós-graduanda em Nutrição Materno infantil. Possui experiência em palestras para escolares com foco em educação nutricional, elaboração de projetos e cardápios para escolas e atendimentos clínicos personalizados. Praticante de ballet clássico acredita que a alimentação balanceada aliada à atividade física promovem saúde e bem-estar.

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