Glúten prejudica a redução de medidas: mito ou verdade?

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Por  Mariane Savassi  |  Nutricionista - CRN 43720 Publicado em 02 de junho de 2016 | Atualizado em 03 de agosto de 2018

Muito tem se falado sobre a dieta sem glúten e os produtos glúten free, que ganham cada vez mais destaque nas gôndolas dos supermercados.

Mas qual é a verdade por trás dessa restrição? Glúten engorda? Sua retirada melhora a performance? Vamos descobrir a seguir.

O que é glúten

O glúten é uma proteína natural encontrada em muitos cereais, como no trigo, no centeio e na cevada. A aveia não tem glúten naturalmente, mas como é processada nas máquinas que fabricam outros produtos com glúten, recebe essa classificação também.

Ele confere a elasticidade da massa de diversos alimentos, caso típico do pão: ao sovar a massa, o padeiro cria as redes de glúten, que impedem que o ar liberado pelo fermento biológico escape, desse jeito a massa cresce e fica fofinha.

O termo glúten é usado para dar nome a duas redes de aminoácidos, a glutamina e a prolina. Esses aminoácidos são de difícil digestão, isso faz com que uma parte deles iniciem algum processo autoimune (causado por nosso próprio organismo) na tentativa de eliminar o que o corpo não conseguir digerir.

Afinal, glúten engorda?

glúten engorda?

Muitas pessoas associam a dieta livre de glúten ao emagrecimento, acreditando conseguirão perder peso, simplesmente, pela retirada do carboidrato que o possui.

Mas a questão não é bem esta. É claro que carboidratos em excesso engordam, mas por outros motivos, não estão relacionados ao glúten.

Existem vantagens em seguir uma dieta sem glúten?

Alguns estudos científicos apontavam existir uma relação entre doenças inflamatórias intestinais, enxaqueca, problemas pulmonares, sinusite, asma, entre outras, e o consumo de glúten.

Quando o consumo é reduzido observa-se, em muitos casos, que no geral esses sintomas melhoram.

Quando consumido em excesso, vira uma “cola” no intestino, fazendo com que os nutrientes essenciais para o corpo não sejam bem absorvidos, e isto pode causar alguns problemas, como obesidade, dores nas articulações, dores de cabeça, mal-estar e outros sintomas.

Mas isto não significa que o ele seja ruim, e que todos devem ser adeptos a dieta glúten free.

Cada caso é um caso, cada organismo reage de maneira diferente e tem pessoas com predisposições genéticas diferentes.

Há quem não possa comer glúten, pois tem a doença celíaca, mas para muitos é uma questão de opção. Há quem simplesmente decida viver livre dele, há quem prefira comer com moderação.

A doença celíaca

Cerca de 1% da população do mundo todo sofre com a doença celíaca. Nela o glúten não é bem aceito pelo organismo.

Quando ele chega ao intestino delgado dos portadores da doença celíaca (e só neles), acontece uma reação do sistema imune, que manda células de defesa para atacar a região.

Durante esse combate as vilosidades intestinais, estruturas responsáveis por absorver os nutrientes da comida, ficam inflamadas e não absorvem os nutrientes da forma certa, deixando o trânsito intestinal mais rápido e prejudicando o estado nutricional daquele indivíduo.

Quando se se trata de doença celíaca, o uso do termo intolerância é errado. É comum ouvirmos casos de pessoas que apresentam mal-estar ao consumir produtos com glúten e, não são celíacos.

A linha que distingue os intolerantes e os celíacos é tênue, as terminologias não são reconhecidas pela área médica, pois não existe um acordo entre os conselhos médicos das características desses distúrbios.

Tem gente que se sente estufado depois de comer um macarrão, pão, pizza ou bolo. Mas o problema não necessariamente é o glúten, pode ser devido ao molho ou recheio muito gorduroso. 

Quais os sintomas da doença celíaca?

Os sintomas mais comuns são diarreia, dor, distensão abdominal e inchaço.

Como sei se tenho doença celíaca?

Se você tem diarreia constante o primeiro passo é procurar o médico clínico-geral que irá iniciar uma investigação completa através de análises clínicas.

Se houver suspeita, será necessário procurar um gastroenterologista, médico especialista no sistema digestivo. Ele vai pedir um exame de sangue, para verificar a presença de anticorpos típicos da doença, e uma biópsia do intestino.

Caso o distúrbio seja detectado, aí não tem jeito: é preciso cortar todos os alimentos com glúten da dieta. E o acompanhamento de um nutricionista é importante a fim de evitar deficiências de nutrientes essenciais para a saúde.

Quando devemos retirar o glúten da alimentação?

retirar glúten da alimentação

O mais importante é você saber o que pode te causar mal. Por exemplo, se você perceber que depois de uma noitada de massas, no dia seguinte bate aquela enxaqueca e/ou indisposição, talvez seja hora de rever a sua relação com o glúten, para tratar a causa e, não os sintomas.

Mas, para isso você precisará de orientação nutricional, que te ajudará a entender qual é o problema de uma forma responsável.

Remover o glúten da dieta de forma radical e ver o que acontece não é a melhor solução.

Nutrição é uma ciência muito complexa, apesar de acharmos que entendemos nosso próprio organismo, é bem fácil ficar confuso.

Se nós acreditamos que algo vai fazer bem, provavelmente fará. É o chamado efeito placebo. Por isso, a resposta é sempre a moderação.

Não é necessário riscar da dieta produtos que contenham glúten como pães, massas e bolos mas, sempre que possível, opte por comer alimentos naturais e diminua, ao máximo, o consumo de produtos industrializados.

Por que dieta sem glúten emagrece?

Qualquer dieta, no início, faz perder peso. Subtrair o glúten significa evitar itens calóricos, como cerveja, pão, macarrão, mas, a longo prazo, o peso não se mantém.

Soluções fáceis, como esta, de cortar certos alimentos da dieta acabam sendo um paliativo para as verdadeiras mudanças que devemos fazer para ter um estilo de vida saudável.

Quando o glúten atrapalha o praticante de musculação?

Sabemos que o glúten é uma proteína que demora para ser digerida (ou parcialmente digerida). Logo, não recomendado que seja consumido muito próximo ao treino, pois prejudica o fluxo de sangue para os músculos, provando queda no rendimento.

Normalmente, alimentos ricos em glúten também têm grandes quantidades de fibras, que precisam ser evitadas nos momentos antes do treino.

Vale lembrar sobre o consumo de suplementos alimentares: alguns deles podem apresentar glúten, que pode ser prejudicial para os praticantes de atividade física celíacos, como: barras de cereais e de proteínas, mingaus proteicos, sopas e massas e granolas proteicas.

E se você decidir, por vontade própria, seguir uma dieta sem glúten ou mesmo diminuir o seu consumo, não faça isto sem orientação profissional. Fale com um nutricionista, ele vai saber lhe orientar como fazer isto da maneira mais segura.

Já passou por alguma dieta desde tipo? Se sim, conte pra gente como foi no campo para comentários abaixo. Terei o maior prazer em trocar experiências com você! E, não se esqueça de deixar o seu e-mail abaixo para ser a primeira a receber os artigos e dicas do Geração Fit 😉

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Mariane Savassi

Nutricionista

Mariane Savassi, 29 anos, paulista, nutricionista personal diet, especializada em fitoterapia e suplementação clínica e esportiva e aprimorada em nutrição em cardiologia. Viciada em livros de receitas, chef amadora nas horas vagas e cinéfila gastronômica. Faz caminhadas regulares para controlar o corpo e a mente.

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