Inverdades sobre o óleo de coco: desmentindo informações falsas publicadas pela mídia

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Por  Dalcia Klimaczewski  |  Nutricionista - CRN 8 12426 Publicado em 11 de abril de 2017 | Atualizado em 03 de agosto de 2018

Algumas inverdades sobre o óleo de coco foram publicadas na semana passada pelo site da Folha de S. Paulo em uma matéria intitulada “Febre do momento, óleo de coco não traz benefícios e ainda pode fazer mal”.

Na matéria foi divulgado que o óleo de coco não promove a perda de peso, não tem efeitos neuroprotetores, não tem ação antifúngica, antibacteriana e antiviral e, ainda, que não apresenta benefícios para pele e cabelo.

Além disso, a Folha ressaltou que o óleo de coco possui gorduras saturadas que podem elevar o risco de doenças cardiovasculares, elevando também os níveis de colesterol, tanto o LDL como o HDL. Mas até que ponto essas informações são verdadeiras?

As gorduras saturadas do óleo de coco são mesmo maléficas?

Segundo o Dr. Lair Ribeiro, médico cardiologista e nutrólogo, o óleo de coco é composto em sua maioria por ácidos graxos de cadeia média (AGCM), destacando-se o ácido láurico. Os AGCM, ao contrário dos ácidos graxos de cadeia longa (AGCL), são absorvidos diretamente para o fígado, onde são metabolizados para gerar energia.

Ou seja, enquanto os AGCL necessitam da ação das enzimas lipases pancreáticas e dos ácidos biliares no intestino para serem absorvidos, passando pela linfa e percorrendo toda a circulação sistêmica através dos quilomícrons, os AGCM são transportados pela veia porta diretamente para o fígado, sendo dificilmente estocados como reserva energética.

Além disso, a nutricionista Alessandra Rodrigues, Mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que “o ácido láurico parece ter menos efeitos deletérios no perfil lipídico do que o ácido palmítico, presente em gorduras saturadas de origem animal”.

Óleo de coco e emagrecimento

Alguns estudos comprovam a eficácia do uso do óleo de coco na redução da gordura abdominal, associada geralmente com o maior risco de doenças cardiovasculares. Porém, apesar da redução nas medidas, não foi verificada uma alteração significativa no perfil lipídico dos participantes.

Portanto, o óleo de coco é eficiente na perda de gordura abdominal, contribuindo com a prevenção das doenças cardiovasculares, já que também não interfere de modo expressivo no perfil lipídico.

Ainda, em relação ao colesterol, estudos indicam que o consumo do óleo de coco é preferível à uma dieta rica em AGCL, pois ele eleva o colesterol LDL e o HDL ao mesmo tempo, mantendo uma relação adequada de HDL/LDL. Contudo, como adverte a nutricionista Alessandra Rodrigues, o seu consumo deve ser moderado, assim como o de todas as gorduras.

Outras inverdades sobre o óleo de coco

Sobre a atividade antibacteriana, antifúngica e antiviral do óleo de coco, o Dr. Lair Ribeiro afirma que as substâncias derivadas do metabolismo do ácido láurico possuem todas essas ações comprovadas, sendo esta mais uma inverdade sobre o óleo de coco publicada na matéria da Folha.

Além disso, um estudo publicado no XXIV Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica comprovou a eficácia do óleo de coco na inativação da bactéria responsável pela formação das acnes, sendo este, portanto, benéfico para a pele.

Um estudo em ratos mostrou que uma dieta cetogênica à base de óleo de coco foi eficaz no tratamento da epilepsia, reduzindo as crises convulsivas, mostrando que pode haver sim benefícios em relação ao sistema neurológico.

O Dr. Lair Ribeiro também defende o uso do óleo de coco nos cabelos, afirmando que ele é capaz de diminuir a queda de cabelos, além do efeito de hidratar, que a maioria das pessoas já ouviu falarem por aí.

A dermatologista Maria Fernanda Gavazzoni, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o óleo de coco age no córtex do cabelo, atingindo sua estrutura interna, o que provoca o efeito conhecido de cabelos macios e hidratados.

Ele apresenta, portanto, benefícios comprovados para a saúde humana, ao contrário das inverdades sobre o óleo de coco publicadas na Folha. Mas seu consumo deve ser moderado para que tenha os efeitos desejados, pois assim como os outros óleos vegetais, o óleo de coco não deixa de ser uma gordura.[vc_row css=”.vc_custom_1478024067242{margin-right: 5px !important;padding-top: 15px !important;padding-right: 20px !important;padding-bottom: 25px !important;padding-left: 20px !important;background-color: #f1f5f8 !important;border-radius: 4px !important;}”][vc_column width=”1/6″ css=”.vc_custom_1467746880870{margin-right: -30px !important;}”][vc_single_image image=”13707″ img_size=”full” alignment=”center” style=”vc_box_circle_2″ onclick=”custom_link”][/vc_column][vc_column width=”5/6″][vc_column_text]Dalcia Klimaczewski[/vc_column_text][vc_column_text]24 anos, comunicóloga e graduanda em Nutrição pela Universidade Federal do Paraná. Adepta à nutrição comportamental, acredita que a saúde e o bem-estar são consequências do equilíbrio entre o corpo e a mente.

Dalcia Klimaczewski

Nutricionista

Formada em Nutrição pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-graduanda em Comportamento e Transtornos Alimentares pelo Instituto de Pesquisa do Comportamento Alimentar (IPCAC).

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