Isoflavona: conheça o incrível nutriente para reposição hormonal natural em mulheres

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Por  Luana Souza  |  Nutricionista - CRN 3 - 27387 Publicado em 23 de outubro de 2017 | Atualizado em 23 de outubro de 2017

Isoflavona: nutriente, encontrado principalmente na soja, promete também combater sintomas da menopausa.

Mulheres que cuidam da saúde normalmente tem uma preocupação extra quando chegam próximo dos 50 anos: os temidos sintomas da menopausa.

Ondas de calor, irritabilidade, palpitações, dores de cabeça, mudanças de humor, fadiga ou perda de libido. É frequente que elas sofram transformações físicas, emocionais e hormonais nessa fase, que podem repercutir negativamente na qualidade de vida.

A maneira mais conhecida de aliviar esses sintomas desagradáveis é a reposição hormonal durante o climatério, a estrogenioterapia, porém ela apresenta alguns efeitos colaterais e contraindicações para determinadas mulheres.

De uma maneira mais natural, algumas substâncias encontradas em vegetais podem contribuir para o equilíbrio hormonal nessa fase, que é o caso da isoflavona.

Isoflavona: o que é?

isoflavona: o que é

Isoflavona é um composto não esteroide, estruturalmente similar ao estrogênio natural, que liga-se fracamente aos receptores desse hormônio no organismo.

Quando consumida e absorvida, é reconhecida como se fosse o próprio estrogênio. Por esse motivo, as isoflavonas são denominadas fitoestrógenos, sendo as principais a genisteína, daidzeína e gliciteína.

É considerada um composto bioativo com propriedades funcionais para o organismo, ou seja, tem funções que vão alem do fornecimento de nutrientes, como a prevenção de doenças ou, até mesmo, a promoção da saúde, quando ingerida como parte de uma dieta usual.

Por ser considerada funcional, modula as respostas metabólicas do indivíduo, promovendo o bem estar e aumentando a longevidade com qualidade de vida.

Onde encontrar as isoflavonas

São encontradas em alimentos de origem vegetal, principalmente a soja e seus derivados. Também está presente, em menor quantidade, na semente de linhaça, brotos de alfafa e algumas frutas, hortaliças e grãos.

Para obter a substância de forma natural, e em quantidade significativa, é indicado o consumo de alimentos funcionais como grão de soja cozido, farinha de soja, proteína texturizada, “leite” de soja, tofu ou missô.

Para alcançar os resultados esperados no organismo, é fundamental o consumo freqüente desses alimentos, ou seja, a longo prazo, por meses seguidos e até anos.

Elas também podem ser encontradas em medicamentos manipulados ou em forma de cápsulas. Contudo, o consumo via alimentos é sempre a primeira recomendação, uma vez que é mais fisiológico para o corpo e, conjuntamente, é possível obter-se os outros nutrientes presentes nos alimentos, como fibras, vitaminas e minerais.

Como incluir fontes de isoflavonas na rotina alimentar

Os alimentos ricos nessa substância podem ser incluídos nas refeições, por exemplo, utilizando a farinha de soja ou a PTS na preparação de receitas como hambúrgueres, almôndegas, rocamboles ou outros.

Essas preparações podem substituir a carne de algumas refeições ao longo da semana, pois são boas fontes de proteína assim como as carnes vermelhas ou brancas ou ovos. Vale ressaltar que a soja não substitui as carnes plenamente em todos os nutrientes,

Outra alternativa é incluir os grãos de soja ou as sementes de linhaça em saladas frias ou preparações como farofas. Todos esses alimentos são ricos em proteínas e com baixo índice de gorduras, podendo auxiliar no controle de peso das mulheres, que muitas vezes sentem dificuldade de manter o peso dentro dos parâmetros saudáveis, após a menopausa.

Os grãos de soja, por exemplo, além da boa qualidade protéica, ainda são ricos em gorduras boas como o ômega 3 e ômega 6, além de ser considerada boa fonte de fibras, vitaminas, minerais como o potássio, ferro, zinco e magnésio. Contém também outras substâncias funcionais como as saponinas e fitatos.

História das isoflavonas

benefícios da isoflavona

Seus efeitos começaram a ser estudados há algumas décadas, quando pesquisadores questionaram os motivos pelos quais as japonesas sofriam bem menos com os efeitos da menopausa do que as mulheres ocidentais, além de apresentares menor incidência de câncer de mama.

Dados epidemiológicos nessa população mostram que a intensidade dos sintomas da menopausa é inversamente proporcional ao consumo de soja. Essas mulheres obteriam grande quantidade do composto pela alimentação, o qual teria atuação semelhante ao do estrogênio no corpo, mesmo sem a produção do hormônio.

Portanto, as mulheres do Japão e o consumo regular de soja desde a infância foram o ponto de partida para pesquisas sobre o efeito desse pseudo-hormônio na menopausa.

Na população oriental o consumo de soja é milenar, com importante papel nutricional como fonte de proteínas na dieta dos asiáticos. Já nos países ocidentais, como o Brasil, a soja começou a ser cultivada no final do século XIX e a despertar a atenção somente a partir da década de 60, como fonte de proteínas de alta qualidade.

Mulheres no climatério

Nessa fase, as mulheres costumam passar por várias transformações orgânicas naturais. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa é uma fase normal de alterações fisiológicas onde se encerra o ciclo reprodutivo feminino.

O estrogênio, que vai tendo sua produção reduzida, reduz seus efeitos nos diversos tecidos e órgãos, como consequência, aparecem os desagradáveis sintomas que podem causar sofrimento e mudar a qualidade de vida.

Uma alimentação equilibrada parece desempenhar importante função no alívio desses sintomas, tendo influencia nas ondas de calor conhecidas como “fogachos”, palpitações, cefaléias e irritabilidade.

Benefícios das isoflavonas para as mulheres

Algumas pesquisas comprovam a segurança do consumo de produtos à base de soja em mulheres climatéricas como uma alternativa terapêutica eficaz, sem alterar a espessura endometrial, ou seja, com proteção extra contra o câncer do endométrio e de mama.

Entretanto, os ensaios clínicos controlados que avaliam os efeitos de sua suplementação ainda são contraditórios. Em alguns estudos seu uso não gerou efetivo superior se comparado à administração de placebo.

Isso não significa que não seja válido o consumo de soja durante a menopausa, porém é necessário ter cautela ao confiar em seus efeitos, que podem não ser percebidos. O ideal é realizar uma avaliação individual com profissional da saúde.

Os fitoestrógenos parecem também apresentar benefícios na saúde óssea dessas mulheres, prevenindo a osteoporose.

Em algumas pesquisas observacionais, foram identificados valores maiores de densidade mineral óssea em mulheres suplementadas, porém, outros ensaios clínicos não demonstraram esse efeito positivos. Portanto, os dados produzidos pela literatura científica permanecem inconclusivos.

Segundo a literatura, uma dieta rica em soja também poderia ser benéfica para o sistema cardiovascular, contribuindo com a melhora na proporção entre as frações de colesterol bom e ruim, porém a American Heart Association sugere que esse impacto é nulo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mantém a recomendação de uso das isoflavonas como coadjuvante no tratamento da redução do colesterol, embora até então não terem sido evidenciados esses efeitos nos estudos científicos bem delineados.

Resumidamente, são necessários estudos adicionais para confirmar o valor desta terapêutica alternativa como eficaz e segura na menopausa.

Todavia, o consumo dos alimentos ricos nesse composto de maneira frequente vão ser benéficos para o organismo de uma maneira geral, uma vez que fornecem nutrientes importantes para o corpo quando incluídos dentro de uma alimentação saudável.

Esse composto bioativo, assim como outros funcionais, tem função antioxidante natural no corpo, ajudando no combate aos radicais livres, produzidos em excesso pelas células quando há fatores externos como estresse, poluição e exposição exagerada ao sol.

Portanto seu consumo regular auxilia na garantia do funcionamento adequado do organismo, prevenindo o envelhecimento celular e prevenindo doenças, representando um aliado para a saúde da mulher.

Como a substância age no organismo?

Ela é absorvida pelas células intestinais e transportada para a corrente sanguínea. A partir do sangue, ela passa para os diversos tecidos que formam o organismo e, então, começa a agir.

Seu mecanismo de ação é baseado na sua estrutura muito semelhante a do estrogênio, que faz com que ela seja reconhecida pelos receptores do corpo como o hormônio e acaba estimulando os processos dependentes do estrogênio de forma natural, mesmo na falta dele.

Os receptores de estrogênio são do tipo alfa ou beta, sendo o primeiro encontrado principalmente nas mamas e útero enquanto o outro está mais relacionado aos ossos e sistema cardiovascular. As isoflavonas são seletivas para esses receptores, ora tendo ação agonista e ora antagonista ao estrogênio, pois competem pelos mesmos recepotores.

Na pós menopausa, quando as quantidades hormonais diminuem, os receptores de estrógeno ficam mais disponíveis, favorecendo a ligação com os fitoestrógenos, que compensam a deficiência hormonal dessa fase.

Portanto ela atua como pseudo-hormônio, apresentando a vantagem de não causar efeitos colaterais como aqueles que podem ser observados em pacientes em uso de hormônio sintético, uma vez que tem atividade bem mais fraca apesar da estrutura semelhante.

Mulheres que podem se beneficiar com a isoflavona

mulheres que podem se beneficiar do tratamento com isoflavona

O tratamento mais comum para o alívio dos sintomas relacionados ao climatérica ainda é a estrogenioterapia.

Entretanto, muitas mulheres abandonam o tratamento convencional devido aos efeitos colaterais, como sangramento irregular, náuseas, cefaleia, ganho de peso e retenção hídrica. Além do mais, existem algumas limitações para a reposição hormonal, especialmente em mulheres com maior risco de câncer de mama e tromboembolismo.

Por outro lado, diferentemente do estrogênio, o composto aqui discutido tem pouca afinidade aos receptores presentes na mama e no útero, não aumentando o risco de neoplasias.

Portanto, nesses casos onde a terapia convencional está contraindicada ou não é bem aceita, seu uso pode ser uma alternativa terapêutica natural.

Pelos possíveis efeitos na densidade mineral óssea, mulheres com osteoporose ou histórico familiar também podem se beneficiar.

Recomendação de consumo

A quantidade ideal desse fitoestrógeno recomendada por dia é de cerca de 40 miligramas (mg), variando entre 20 a 100mg conforme as necessidades de cada organismo.

Os resultados do estudo de Nahas et al, que estudaram seus efeitos sobre os sintomas climatéricos e o perfil lipídico na mulher em menopausa, mostraram que as concentrações dos diversos metabólitos dos fitoestrogênios e seus efeitos clínicos têm variação individual, mesmo quando controlada a quantidade de isoflavona administrada.

Portanto é difícil estabelecer a dose ideal, mas são comuns estudos que administram quantidades entre 20 a 100 mg com resultados positivos na redução na frequência de alguns problemas típicos do climatério.

Em média a soja contém cerca de 1 a 3 mg de isoflavonas por grama de proteína. Sabendo-se que cada 100g de soja em grãos possui cerca de 36g de proteína, seria necessário um consumo de 55g de grão de soja (que contém 20g de proteínas) para atingir a recomendação das 40 mg do fitoestrógeno. Essa quantidade é viável e facilmente obtida pela alimentação.

Isoflavonas e a ANVISA

Elas são consideradas pela ANVISA como medicamentos devido ao perfil de uso e indicações terapêuticas, com obrigatoriedade de registro. Portanto não se enquadram na Legislação Brasileira de Alimentos. As apresentações comerciais normalmente se caracterizam por extratos de soja, contendo cerca de 40% do fitoestrógeno.

Cabe salientar que a legislação não permite que se use designações como “fonte de isoflavonas” ou “suplemento alimentar à base de isoflavonas” nos rótulos de produtos alimentares a base de soja, mesmo aqueles registrados pela ANVISA.

No Brasil, o Órgão aprova seu uso somente para o tratamento dos fogachos durante o climatério e como coadjuvantes da redução dos níveis séricos de colesterol.

Conclusão

As isoflavonas são compostos bioativos encontrados na soja e possuem uma ação semelhante ao do estrogênio no corpo feminino, sendo consideradas como uma alternativa na reposição desse hormônio em mulheres na menopausa.

Os estudos ainda são inconclusivos com relação aos seus efeitos, não havendo evidências suficientes para recomendar o uso desse fitoestrogênio como substituto da terapia tradicional.

As evidências até então produzidas ainda são contestadas pelo meio científico por falta de parâmentros e resultados fidedignos. Portanto são necessários mais estudos que avaliem a segurança do uso crônico dessa substância pela mulher climatérica.

Por outro lado, em mulheres que optam por não fazer a reposição hormonal ou naquelas onde a medicação é contraindicada, o consumo da soja pode ser uma alternativa natural para passar por essa fase sem perder qualidade de vida.

Outros alimentos que podem ser incluídos na rotina feminina são os derivados da soja, como farinha de soja, missô, tofu ou a proteína texturizada, e ainda a semente de linhaça ou outras hortaliças e frutas.

Para incluir esse fitoestrogênio na alimentação pode-se contar com a ajuda de um nutricionista, profissional capaz de traçar estratégias e metas seguras de ingestão de acordo com os hábitos de cada indivíduo.

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Luana Souza

Nutricionista

Graduada pela USP, é especialista em saúde pública e mestre em gestão da clínica. Possui experiência em palestras e grupos educativos focados na prevenção e tratamento das doenças crônicas não transmissíveis e em atendimentos individuais personalizados. Apaixonada pela profissão, por novas experiências culinárias e por tudo o que leva a um estilo de vida saudável. Praticante de exercícios funcionais, Pilates e corrida nas horas vagas.

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