Por que autoridades britânicas recomendam mel (e não antibióticos) contra a tosse

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Por  Equipe Onique  |  Publicado em 04 de setembro de 2018 | Atualizado em 27 de maio de 2019

Mel no combate à tosse: diversas culturas do mundo têm o hábito milenar de usar mel como antibiótico, algo que chegou a ser empregado durante a Primeira Guerra Mundial.

Há no mundo inúmeros profissionais que defendem que mel e remédios isentos de prescrição devem ser a primeira opção no tratamento da maior parte das tosses.

Antibióticos, por outro lado, não são muito recomendados para o combate à tosse por eles não combaterem os sintomas.

O que dizem as novas recomendações de institutos britânicos

As novas recomendações do sistema de saúde britânico são dirigidas especificamente a médicos, com o intuito de minimizar o uso indiscriminado de antibióticos, que tem como efeito colateral a proliferação de “superbactérias”, cada vez mais resistentes a esses medicamentos.

O comunicado do instituto explica que já existem algumas evidências de que o mel e remédios contendo pelargonium, guaifenesina e dextromertorfano ajudam a aliviar os sintomas da tosse.

Há, na literatura médica, diferentes estudos avaliando o desempenho do mel no combate à tosse. Um deles, publicado em 2007 no periódico Jama Pediatrics, avaliou, entre outras coisas, seu impacto em 105 crianças e jovens entre 2 e 18 anos de idade, com infecções do trato respiratório superior.

Na maioria dos casos, os pais entrevistados avaliaram o mel como um dos tratamentos mais eficientes contra a tosse e a consequente dificuldade das crianças em dormir.

Em documento de 2001, a Organização Mundial da Saúde também diz que chá de limão e mel tende a aliviar sintomas de tosse em crianças, mas deve ser evitado em bebês pequenos – o risco, nas que têm menos de um ano, é de infecção por uma bactéria do mel que pode causar botulismo infantil. Tampouco são recomendados chás a bebês pequenos que ainda estão sendo amamentados. Pastilhas contra a tosse também não devem ser dadas a crianças pequenas, por conta do risco de engasgar.

Como eles sugerem tratar a tosse?

A tosse piora principalmente no período noturno, isso é uma defesa do organismo, tendo como principal função a eliminação de elementos estranhos e secreções das vias respiratórias. Porém, muitas vezes, a tosse é bastante incômoda e cansativa, mas pode ser solucionada com medidas simples.

A recomendação emitida pelo Nice e pela organização Public Health England (PHE) sugere tratar a tosse com mel e medicamentos isentos de prescrição e esperar os sintomas diminuírem.

No entanto, “se a tosse piorar e a pessoa se sentir muito indisposta ou sem ar, deve procurar um médico”, afirma Lewis.

Além disso, podem ser necessários antibióticos caso a tosse seja sintoma de uma doença mais grave ou quando o paciente está sob risco de desenvolver complicações mais severas – caso, por exemplo, de pacientes com doenças crônicas ou com o sistema imunológico debilitado.

Mas, na maioria dos casos, as tosses são causadas por vírus, que não são tratáveis por antibióticos e costumam ser curados naturalmente pelo organismo.

A preocupação se deve porque, apesar disso, pesquisas identificaram que 48% dos médicos britânicos prescreviam antibióticos indiscriminadamente para tosses ou bronquites.

O tema também é premente no Brasil, onde estima-se que 23 mil mortes anuais sejam causadas por bactérias resistentes a antibióticos.

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