Ocitocina, o hormônio do amor: como aumentar naturalmente o principal responsável pelo bom relacionamento interpessoal entre as pessoas

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Por  Ana Carolina Rocha  |  Nutricionista - (CRN3 - 48025) Publicado em 25 de abril de 2019 | Atualizado em 25 de abril de 2019

Já ouvir falar de ocitocina? Existe um hormônio ligado ao amor? Neste texto explicaremos o que é este hormônio e quais os benefícios que ele traz em nossa saúde.

Muitas pessoas ainda acreditam que o conceito de saúde está ligado à ausência de doença. No entanto, saúde é um conjunto de fatores relacionados ao bem-estar físico, mental e também social. 

Pode parecer estranho para quem está tendo contato pela primeira vez com esse novo conceito, mas o relacionamento interpessoal tem um impacto direto na saúde do indivíduo.

O que é a ocitocina?

A ocitocina (ou oxitocina) é um hormônio produzido no cérebro (hipotálamo) e armazenada na neuro-hipófise, de onde é liberada para o cérebro e outros órgãos.

É conhecida por ser o hormônio do amor por ter sua síntese e secreção estimulada em situações de contato físico e relacionamento interpessoal. 

Benefícios da ocitocina

benefícios da ocitocina

A ocitocina faz parte dos quatro hormônios ligados ao bem-estar: serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina.

A principal função conhecida da ocitocina está ligada ao relacionamento entre mãe e filho, como forma instintiva do corpo da mulher se conectar à criança.

Um aumento natural de ocitocina ocorre em mulheres desde o fim da gravidez até o fim do período de amamentação, isso porque esse hormônio induz as contrações do músculo uterino durante o parto, no pós-parto atua no processo de recuperação da mãe evitando hemorragia e também estimula a secreção de leite no período de amamentação.

Na amamentação a ocitocina também tem outro papel importante: ela estimula o sistema límbico (parte do cérebro relacionada às emoções), promovendo sensação de prazer e relaxamento – também importante para o estabelecimento do laço materno.

Ocitocina: muito além do laço materno

ocitocina muito além do laço materno

O parto e amamentação ainda são as funções mais importantes da ocitocina no corpo, mas inúmeros estudos estão sendo feitos sobre este hormônio e em como ele age em outras áreas de nossa vida, como por exemplo:

– Felicidade e bem-estar: a ocitocina reduz os níveis de ansiedade e estresse, principalmente os relacionados a interações sociais, além de aumentar o sentimento de felicidade e amorosidade.

– Redução da agressividade masculina: atua como um bloqueador de testosterona, hormônio responsável por surtos de raiva. Mas também auxilia na redução da ansiedade e estresse, que podem ser gatilhos para a agressividade. 

– Melhora da qualidade das relações sexuais:  aumenta a sensibilidade das partes íntimas, facilita a lubrificação, aumenta a frequência de ereções, melhora a qualidade da ejaculação.

– Relaxamento muscular: por ser também um hormônio do bem-estar, uma das funções da ocitocina é promover o relaxamento muscular e redução da tensão causada pelo estresse cotidiano.

– Fidelidade: a ocitocina está relacionada com a atração entre as pessoas e aos relacionamentos sérios, desestimulando a infidelidade, ela está relacionada inclusive com à ética no trabalho. 

Nos homens, sua ação é diminuída à medida que a concentração de testosterona aumenta, prejudicando as suas funções no corpo.

Aumentar naturalmente a síntese de ocitocina

A ocitocina já é produzida naturalmente pelo corpo, mas podemos estimular sua síntese com algumas atividades. 

– Contato físico: o contato físico como abraços, beijos e carinho estimulam a produção de ocitocina, mesmo quando não é feito em um relacionamento amoroso. Ou seja, qualquer contato físico causa este estímulo.

– Sexo: a ocitocina é liberada no momento do orgasmo durante o sexo, é responsável por causar as contrações uterinas e liberação do esperma – além de promover também a sensação de bem-estar. Mas, aqui, vale ressaltar que nos homens isso só ocorre quando há um vínculo emocional com a parceira! 

– Exercício físico: sabemos que a prática de atividade física está relacionada com a liberação de outros hormônios do bem-estar, como a endorfina, mas também da liberação de ocitocina. Não é necessário que a atividade seja intensa para que haja o estímulo – portanto, sem desculpas para começar hoje um novo hábito saudável.

– Meditação: por ser uma prática que promove o equilíbrio emocional e redução do estresse, temos um aumento na liberação de ocitocina, assim como também da endorfina.

– Expressar nossas emoções: ter conversas profundas, elogiar/ser elogiado, chorar e entrar em contato com seus sentimentos causa liberação de ocitocina não pelo estímulo direto, mas pelo desbloqueio que o controle das emoções causa na redução da liberação de ocitocina no corpo. Em outras palavras, paramos de inibir o estímulo de ocitocina que o distanciamento das nossas emoções provoca.

– Generosidade: trabalhos voluntários, atos de generosidade e doação do seu tempo ao outro são ações que aumentam a síntese e liberação de ocitocina, pois são entendidos como situações de bem-estar e segurança pelo corpo.

Mas, atenção! A liberação de ocitocina é prejudicada quando estamos sob estresse, com aumento de adrenalina, pois ambos ativam as mesmas áreas do corpo, mas com estímulos opostos.

A suplementação de ocitocina é necessária?

a suplementação com ocitocina é necessária

Hoje em dia a suplementação de ocitocina é muito utilizada em hospitais para a indução do parto em casos específicos. Ela também pode ser utilizada para auxiliar a amamentação, também nos casos em que a mulher apresenta dificuldades – mas sua suplementação deve ser feita  com indicação e acompanhamento médico.

Além dessas indicações, sua suplementação também é utilizada para o tratamento de distúrbios de agressividade, para este uso o acompanhamento médico também é essencial.

A ocitocina é encontrada em farmácias na forma de cápsulas, líquido ou spray nasal. A dosagem recomendada varia conforme o paciente e a finalidade de uso, por isso é essencial consultar seu médico caso tenha dúvidas sobre a dosagem que lhe foi indicada.

Efeitos colaterais

A utilização de ocitocina exógena deve ser sempre feita sob indicação de profissional da saúde, pois o uso indiscriminado pode causar efeitos colaterais como: sofrimento fetal, asfixia, ruptura uterina, taquicardia, cefaleia, náusea, vômito, dentre outros.

Contraindicações da suplementação de ocitocina

A ocitocina é contraindicada para qualquer pessoa que não apresente recomendação médica para sua utilização, principalmente no caso de gestantes e nutrizes.

Como temos sua produção natural no corpo, o organismo possui meios de controlar a quantidade da produção hormonal de acordo com a necessidade. Quando utilizamos um hormônio artificial, o corpo automaticamente diminui a síntese endógena dele pois entende que há um excesso na corrente sanguínea e que não é preciso estimular mais a síntese – prejudicando a homeostase natural do corpo.  

Conclusão

A ocitocina é mais um dos hormônios do bem-estar, cujas funções principais são auxiliar no trabalho de parto e na secreção de leite durante a amamentação. Mas, ela também está presente em outros momentos como no orgasmo e na atividade física.

Sua produção natural é suficiente para as funções cotidianas, sendo que sua suplementação é somente necessária em casos específicos e deve ser indicada por um profissional da saúde.

O uso incorreto de hormônios pode causar efeitos colaterais e reduzir a capacidade natural de síntese dessa substância no corpo.

Ana Carolina Rocha

Nutricionista

Nutricionista pela UNICAMP e pós-graduanda em Desenvolvimento de Produtos pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Estudou um ano de nutrição na Ulster University - Reino Unido. Atua como Personal Diet na área clínica e estética e acredita que os alimentos são fonte de saúde e felicidade para as pessoas.

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