Aviso: perder peso não é o mesmo que emagrecer! Saiba tudo sobre as reais diferenças

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Por  Ana Carolina Rocha  |  Nutricionista - (CRN3 - 48025) Publicado em 03 de junho de 2019 | Atualizado em 11 de junho de 2019

Perder peso e emagrecer não são a mesma coisa! Confira agora o porquê e não se deixe enganar!

Vivemos hoje em uma sociedade que preza pela beleza que está associada à um tipo corporal atlético e de baixa gordura corporal.

Para se alcançar o tão desejado estereótipo de beleza, as pessoas recorrem aos mais diversos tipos de dieta e, agora, esse tipo de informação está cada vez mais acessível através da internet.

Mas, será que esta é a melhor estratégia nutricional para quem quer emagrecer? Perder peso e emagrecer são sinônimos? Vamos entender melhor como funciona nosso corpo durante uma dieta e como tirar o melhor proveito de nosso metabolismo.

Perder peso e emagrecer: definições

A primeira coisa que precisamos entender são os conceitos por trás de peso e emagrecimento.

Peso é a soma, em quilos, de todos os tecidos de nosso corpo mais os fluidos corporais. Sendo assim, temos músculos, ossos, órgãos vitais, gordura e líquidos corporais, como a água – e este último é uma parcela muito importante de nossa composição corporal, sendo aproximadamente 65%, valor que vai se alterando conforme a idade e estilo de vida.

A perda de peso nada mais é do que a redução do valor total de quilos do nosso corpo mensurado por uma balança.

Emagrecimento é um processo de perda de gordura corporal, que pode ser acompanhado ou não de perda de peso.

Ou seja, perder peso e emagrecer não são sinônimos!

Por que o emagrecimento não é dependente da perda de peso?

por que o emagrecimento não é dependente da perda de peso

Perder peso e Emagrecer. Dependendo da estratégia adotada para o emagrecimento, pode haver um ganho de massa muscular concomitante à perda de massa gorda.

Os músculos são mais densos, ou seja, mais pesados que a gordura, e assim o indivíduo começa a apresentar um físico mais definido só que com o peso da balança inalterado ou até maior do que antes do processo de emagrecimento.

Existem diversas estratégias para emagrecer

Para perdemos peso precisamos gastar (queimar) mais calorias do que aquelas que ingerimos através da alimentação. Isso faz com que nosso organismo precise utilizar nossas reservas energéticas para poder manter o metabolismo funcionando corretamente. E, claro, nossas reservas energéticas são justamente nosso tecido adiposo – gordura.

Apesar da dieta ser a forma mais conhecida e utilizada para emagrecer, ela não é a única estratégia – e dependendo do tipo de dieta escolhida, também não é a mais eficaz. Isso ocorre pois dependendo do tipo de restrição alimentar a que somos submetidos, nosso corpo precisa compensar a falta do nutriente da nossa alimentação e prejudicamos assim o bom funcionamento do nosso metabolismo.

Mas, como assim?

Cada nutriente tem uma função em nosso corpo. No caso dos carboidratos e gorduras, energia é a principal contribuição deles na alimentação. Portanto, quando realizamos um dieta que elimina os carboidratos da refeição, por exemplo, estamos reduzindo uma fonte de energia para o nosso corpo.

Para se adaptar à esta nova condição, o corpo começa a utilizar nossos estoques de energia (gordura). Mas, também nosso estoque de proteína (músculos) para continuar mantendo o funcionamento do organismo. Conclusão: reduzimos nossa % de músculo e reduzimos o peso da balança, no entanto essa perda muscular tem impacto negativo na saúde.

Além da dieta

Jejum intermitente, estratégia que ficou famosa há alguns anos, possui diversas adaptações. É caracterizada por períodos prolongados de jejum, sendo que nos intervalos não existem, ou existem poucas, restrições alimentares.

Existem profissionais que apresentam os benefícios do jejum associados à autofagia alimentar, em um conceito de reciclagem celular – no entanto, são necessários mais estudos nessa área para que se possa comprovar os reais benefícios do jejum intermitente para a saúde.

Apesar do jejum ser uma prática feita pelas civilizações há muitos séculos, o acompanhamento profissional é necessário visto que, nem todas as pessoas podem realizar esse tipo de restrição alimentar por longos períodos.

A reeducação alimentar não retira alimentos da dieta, ela reequilibra os nutrientes da dieta, além dos horários das refeições, e aproveita-se melhor a alimentação e ingere menos calorias desnecessárias.

Temos também a atividade física, que aumenta o gasto calórico, estimula o anabolismo (aumento de massa muscular), além de outros benefícios secundários à saúde.

O posicionamento oficial do American College of Sports Medicine para um emagrecimento saudável diz que a estratégia recomendada envolve dieta nutricionalmente adequada com restrição calórica leve (não inferior a 1200kcal), associada a prática de atividade física (de preferência endurance). Eles indicam que a taxa de redução de peso não deve ultrapassar de 1 kg por semana.

Como avaliar a composição corporal?

Antes de pensar em qual dieta vai se encaixar melhor para seu objetivo de emagrecimento saudável é necessário fazer um check-up de como está sua composição corporal.

A composição corporal pode ser avaliada por vários métodos, citaremos aqui os mais comuns:

Adipômetro

Um aparelho utilizado por nutricionistas e educadores físico, que se assemelha há uma pinça, e o profissional tira com ele as medidas necessárias para avaliar a composição do indivíduo.

Bioimpedância

Um aparelho eletrônico que pulsa uma corrente elétrica de baixa intensidade no indivíduo e mede a condução elétrica do corpo. A partir deste dado é possível estimar a % de gordura, músculo e água da pessoa.

E também outros métodos analíticos que podem ser indicados pelo seu profissional de saúde de confiança.

Lembrando que o conhecido cálculo de IMC (índice de massa corporal) não calcula a composição corporal, pois ele não diferencia massa gorda e massa magra. Este método faz uma estimativa se o indivíduo está acima ou abaixo do peso ideal – no entanto não é o método indicado para estabelecer metas precisas de emagrecimento.

Estabelecendo seus objetivos

estabelecendo seus objetivos

Com a informação de sua composição corporal, o próximo passo é estabelecer um objetivo a ser alcançado com o emagrecimento. Caso a estimativa de perda de gordura corporal seja elevada, uma estratégia é quebrar o objetivo final em fases para se acompanhar o progresso de maneira mais eficaz.

Estabeleça junto a um profissional da saúde quais serão seus objetivos de perda de gordura, e ganho de massa muscular se for o caso, pois são pessoas capacitadas e com experiência para lhe ajudar a estabelecer metas tangíveis e condizentes que sua realidade.

A temida perda de líquidos com dietas rápidas

Sempre que ouvimos falar sobre perda de peso rápida, também escutamos que esta pessoa provavelmente perdeu muito líquido corporal.

Muitas das pessoas que estão acima do peso não tem somente um tecido adiposo em excesso, mas também sofrem de retenção de líquidos – que também se acumulam na região abdominal e aumentam a sensação de barriga estufada.

Estudos comprovam que quando dietas extremamente restritivas são feitas, há uma perda considerável de líquidos do corpo, o que reduz a retenção de líquidos, e assim também reduz o inchaço abdominal secundário a ele.

Com essa redução de inchaço, o peso da balança diminui e há uma sensação de que o indivíduo está mais magro, no entanto essa condição é ilusória.

Para saber se a perda de peso está associada à perda de gordura ou de líquidos é necessário realizar um acompanhamento da composição corporal com um profissional. De preferência que este acompanhamento se inicie antes de qualquer alteração na dieta para que o profissional tenha um panorama completo da composição corporal do indivíduo e também o ajude a selecionar as melhores estratégias de emagrecimento saudável.

Por que meu peso volta quando paro de fazer dieta?

Quando o foco central da dieta está na perda de peso, e não na redução de massa gorda, após atingir o peso desejado é natural que o indivíduo pare com as restrições nutricionais que estabeleceu.

Como nesse período não houve uma reeducação alimentar, antigos hábitos nocivos voltam a fazer parte da realidade da pessoa e o organismo volta a acumular todo o tecido adiposo novamente.

Outro motivo para o ganho de peso é que o corpo não se adaptou à nova rotina alimentar e entende que o peso anterior à dieta é, na verdade, o peso natural dele. O organismo processa a dieta como uma restrição alimentar forçada devido à fatores externos (como passar fome por falta de alimento disponível) e, consequentemente, ele quer voltar ao peso “normal” assim que a oferta de alimentos volta a ser como antes.

Emagrecer é sinônimo de saúde?

emagrecer é sinônimo de saúde

Não, o emagrecimento nem sempre é sinônimo de saúde, pois devemos levar em consideração as particularidades de cada indivíduo para entendermos se o processo de emagrecimento está adequado e realmente necessário.

Por exemplo, o corpo feminino em idade fértil (não atleta) necessita de, no mínimo, 18% de gordura corporal para estar apto a gerar uma nova vida. Quando reduzimos a porcentagem de gordura abaixo desse limite, o organismo para de ovular e menstruar.

A taxa ideal de gordura corporal, para mulheres em idade fértil não atletas, é de aproximadamente 22%. Esse valor irá variar conforme a idade e condições físicas.

Outra situação é quando o emagrecimento e a perda de peso se tornam uma obsessão/compulsão, e a pessoa desenvolve um distúrbio de imagem corporal – ou seja, ela não tem mais a capacidade de assimilar sua real condição física, acreditando que está acima do peso que considera ideal. Esse quadro pode resultar em anorexia, bulimia ou ortorexia, e deve ser tratado com um profissional da saúde especializado.

Para ambos os sexos, ter menos de 10% de gordura corporal pode trazer os primeiros sinais de que seu corpo não está funcionando da maneira mais saudável, com irritabilidade, perda de força e cansaço.

Por que se fala tanto em ganho de massa magra quando o assunto é emagrecimento?

A massa magra, ou músculo, é um tecido do corpo que tem as funções de estabilidade corporal e realiza os movimentos do corpo. O exercício físico estimula o anabolismo, seu crescimento, aumentando assim sua força.

Quando envelhecemos, temos uma perda natural e gradual da massa magra, que não é reposta com a mesma facilidade de quando somos jovens. Essa redução de massa magra na velhice traz diversos problemas secundários, além de também contribuir com quadros de doenças, debitando o paciente.

Então, o primeiro motivo ao qual se fala de massa magra é a preocupação com a manutenção desse tecido ao longo da vida.

O segundo ponto é que ele queima mais energia do que o tecido adiposo. Uma pessoa com mais massa muscular tem uma taxa de metabolismo em repouso mais alta do que uma pessoa com menos. Sendo assim, o aumento da massa magra auxilia também no próprio emagrecimento.

Conclusão

Perder peso e emagrecer não podem ser considerados sinônimos, apesar de muitas vezes estarem relacionados.

Quando nos referimos à perda de peso, não levamos em consideração todas as particularidades da composição corporal, sendo assim um dado geral. Já o emagrecimento se refere à redução de massa gorda do corpo – que é acompanhada por um aumento de massa magra pode, inclusive, causar aumento de peso!

Como saber se está emagrecendo mesmo que o peso da balança não esteja diminuindo? O ideal é realizar um acompanhamento da sua composição corporal junto a um profissional da saúde. Mas, em casa já é possível notar uma diferença na silhueta corporal e na necessidade de troca de tamanho de roupas.

Emagrecimento e perda de peso saudáveis e duradouras são aqueles em que a dieta é equilibrada nutricionalmente e associada à hábitos de vida saudáveis.

Ana Carolina Rocha

Nutricionista

Nutricionista pela UNICAMP e pós-graduanda em Desenvolvimento de Produtos pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Estudou um ano de nutrição na Ulster University - Reino Unido. Atua como Personal Diet na área clínica e estética e acredita que os alimentos são fonte de saúde e felicidade para as pessoas.

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