Simbióticos: o que são e como eles contribuem para boa saúde intestinal e, consequentemente, para manutenção do peso e emagrecimento saudável

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Por  Aline Marques  |  Nutricionista - CRN3 - 46439 Publicado em 29 de abril de 2019 | Atualizado em 29 de abril de 2019

Os simbióticos, de acordo com a classificação, são os produtos da associação de alimentos probióticos e prebióticos e que têm a capacidade de atuar na microbiota intestinal trazendo inúmeros benefícios à nossa saúde. 

Muito têm-se falado sobre a funcionalidade dos alimentos e como eles podem ajudar na manutenção,tanto da saúde,como do peso desejável.

Em meados dos anos 80 surge o termo “alimento funcional” e,atualmente, a ANVISA classifica os alimentos funcionais como “todo alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido na dieta usual, produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica”.

Sendo assim, os simbióticos estão inseridos nesse grupo de alimentos funcionais e, vários são os efeitos atribuídos ao seu consumo, dentre eles a redução das infecções intestinais, aumento da massa magra e redução da massa gorda.

Mas, o que são exatamente os simbióticos?

Como já mencionado acima, os simbióticossão alimentos que contém simultaneamente micro-organismos probióticos (micro-organismos vivos capazes de melhorar o equilíbrio microbiano intestinal produzindo efeitos benéficos à saúde do indivíduo) e ingredientes prebióticos (componentes alimentares não-digeríveis que afetam beneficamente o hospedeiro pelo estímulo seletivo da proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon), resultando em um produto com as características funcionais dos dois grupos, que beneficiam a saúde do consumidor. 

Ou seja, os alimentos simbióticos contem micro-organismos e também o substrato necessário para esse micro-organismo atuar no corpo do hospedeiro. Essa atuação consiste em proliferar e melhorar a atividade da microbiota intestinal, aumentar a produção de enzimas digestivas, diminuir a absorção de gordura, melhorar o sistema imunológico, dentre outras.

A microbiota intestinal

a microbiota intestinal

Nos últimos anos, a importância da microbiota humana tem sido redescoberta pela ciência. Ela nos acompanha ao longo de toda a vida, alterando-se devido a fatores como genética, estilo de vida, alimentação, hábitos de higiene, estresse, tabagismo, uso de antibióticos, entre outros. 

Alguns estudos demonstraram que a ausência da microbiota altera de maneira significativa o trato gastrointestinal, trazendo consequências como redução da composição do muco, das atividades das enzimas, da espessura da musculatura do intestino e da quantidade de anticorpos no sangue.

Com isso, os estudos mostram que a presença da microbiota é fundamental para toda a estruturação intestinal por criar mecanismos de defesa no órgão. Porém, é importante ressaltar que apenas a presença de micro-organismos não garante resultados satisfatórios, é importante a composição dessa microbiota.

A microbiota é composta por inúmeros tipos de micro-organismos e sabe-se que a alimentação é o principal fator modulador da composição da mesma. Estudos recentes mostraram que uma dieta rica em gorduras aumenta a proliferação das células-tronco intestinais e concede características destas às células não-tronco, favorecendo a formação de tumores.

Foi comprovado também que portadores de síndromes metabólicas tem o metabolismo e a expressão gênica das células epiteliais intestinais modificados, resultando no enfraquecimento da barreira epitelial e facilitando a entrada de agentes patogênicos. Em condições normais, a microbiota também protege o organismo da invasão por agentes infecciosos.

Alterações da microbiota intestinal

Um ponto importante a ser comentado é sobre o uso indiscriminado de antibióticos e como eles afetam a composição da microbiota. Por definição, os antibióticos são medicamentos que destroem ou inibem o crescimento de alguns micro-organismos causadores de doenças.

No entanto, os antibióticos não são seletivos apenas às bactérias patogênicas, eles também atingem as bactérias benéficas e isso altera a microbiota gerando um caso de disbiose. 

A disbiose é um estado que favorece o aparecimento de doenças e também o ganho de peso. A situação inibe a formação de vitaminas produzidas no intestino, como a B12, e permite que o crescimento de bactérias e fungos seja desordenado, afetando todo o funcionamento do organismo. O problema é identificado pelos sintomas de prisão de ventre crônica, cólicas e diarreia frequentes. 

Simbióticos e a microbiota

Antigamente existia a ideia de que as bactérias no corpo deveriam ser combatidas a todo custo. Hoje sabe-se da importância e dos benefícios da presença de alguns tipos de micro-organismos ao corpo humano. 

Como já mencionado, o produto simbiótico é obtido a partir da junção dos pró e prebióticos.

As principais espécies microbianas com propriedades probióticas pertencem aos gêneros Lactobacilllus Bifidobacterium. Tais gêneros são habitantes normais do intestino humano e combatem, respectivamente patógenos como Salmonella spp. e Escherichia coli Candida spp. 

As culturas probióticas são adicionadas principalmente a leites fermentados e iogurtes para conferir propriedades funcionais a estes alimentos. 

As fibras solúveis inulina e frutooligossacarídeos (FOS) são prebióticos servem como substrato para os probióticos, por não serem digeridas no estômago ou intestino. Elas não alteram o valor calórico dos produtos, podem reduzir o índice glicêmico de alguns alimentos e também são potencialmente capazes de melhorar a absorção de alguns nutrientes como cálcio, ferro e magnésio. 

A microbiota por si só consegue gerar esses produtos simbióticos. Quando os probióticos se alimentam de determinados substratos, o resíduo deixado por eles pode atuar no organismo promovendo ações imunomoduladoras. 

Benefícios dos simbióticos

benefícios dos simbióticos
  • A atuação dos simbióticos auxiliam no tratamento de:
  • Doenças inflamatórias intestinais, incluindo a síndrome do intestino irritável;
  • Efeitos secundários da obesidade;
  • Reações alérgicas, como dermatites e conjuntivites;
  • Disbiose, síndrome do intestino com vazamento;
  • Dores articulares;
  • Diabetes e pré-diabetes;
  • Problemas na pele como acne e eczema.

Pesquisas recentes indicam que o consumo de simbióticos pode ser mais vantajoso que o de somente probióticos, isso porque os simbióticos são considerados extremamente seguros por não possuírem nenhum componente bacterial nocivo; não precisam de colonização do hospedeiro. Ou seja, apenas tomar o simbiótico já promove os efeitos; pode ser utilizado em concentrações mais baixas que os probióticos e, mesmo assim, conter grandes quantidades de componentes ativos. 

Como posso incluir prebióticos e probióticos na alimentação para conseguir os efeitos simbióticos?

Apesar de existirem inúmeros produtos desenvolvidos pela indústria com a ação simbiótica, alguns alimentos apresentam organismos probióticos e componentes prebióticos. 

Alimentos ricos em fibras são ótimas fontes alimentares de prebióticos, principalmente os vegetais de raiz, alguns frutos verdes, grão e leguminosas. Alguns exemplos são o alho cru, a alcachofra, cebola e aspargo crus e banana ligeiramente verde. 

Os probióticos, por serem organismos vivos, são mais comumente encontrados em suplementos, na forma de comprimidos, cápsulas, pó ou líquidos. Porém, podem ser encontrados naturalmente em alimentos fermentados, como nos iogurtes e kefir. 

Os simbióticos são encontrados em componentes de determinados alimentos:

  • Algas contem spirulina e chlorella: elas promovem a desintoxicação do corpo, reduzem a inflamação, nutrem as bactérias benéficas e aumentam a secreção de imunoglobulina, promovendo melhora da saúde intestinal;
  • Cogumelos: o micélio apresenta diversas enzimas, agentes antimicrobianos, componentes antivirais e promove o crescimento bacteriano na microbiota;
  • Bagaço de uva e azeitonas: fornecem energia aos Probióticos do organismo, impulsionando a produção dos simbióticos;
  • Enzimas Saccharomyces: suportam uma digestão saudável participando de muitos processos metabólicos e quebram gorduras, carboidratos e proteínas;
  • Iogurtes com culturas vivas: fornecem culturas de lactobacilos que melhoram a digestão e irão atuar na microbiota.

Simbióticos e emagrecimento

simbióticos e emagrecimento

Alguns estudos já relacionavam que a microbiota de obesos é diferente da de indivíduos magros e que o tipo de alimentação destes indivíduos é capaz de interferir na microbiota intestinal. Uma dieta rica em gordura e pobre em fibras promove o crescimento de outras bactérias que não são tão benéficas. 

Um estudo canadense buscou descobrir se o consumo de alimentos probióticos era capaz de reequilibrar a microbiota, promovendo o crescimento de bactérias benéficas e auxiliando na redução do peso de maneira saudável.

Além de promover a redução do peso, os pesquisadores também identificaram alterações nos níveis do hormônio regulador do apetite, a leptina.

Porém, a principal ação dos probióticos no emagrecimento parece se relacionar com a alteração da permeabilidade da parede intestinal, impedindo que moléculas pró-inflamatórias condicionantes da obesidade entrem na corrente sanguínea.

Vários estudos confirmam que uma microbiota pobre em microrganismos promove o acúmulo de peso e que, algumas espécies podem gerar uma reabsorção não desejada de amido e açúcar no cólon.

Comprovou-se que bactérias produtoras de metano e outras produtoras de hidrogênio podem interagir e aumentar consideravelmente a absorção de açúcar e impedindo a digestão de glucanas, moléculas que normalmente produzem glicose nos humanos, isso por sua vez, leva a uma maior tendência ao acúmulo de peso. 

Acredita-se então que, a recolonização da microbiota para essas bactérias benéficas irá auxiliar no emagrecimento. Tal teoria é corroborada por vários outros benefícios do consumo de alimentos pré, pró e simbióticos.

Além de interferir na produção de leptina, hormônio regulador do apetite, os probióticos aumentam os níveis da proteína ANGPTL4, que está intimamente ligada ao metabolismo de armazenamento das gorduras. Com a alta dessa proteína, menos gordura é armazenada no corpo. 

Simbióticos possuem contraindicações?

simbióticos possuem contraindicações

Não existem contraindicações ao consumo de alimentos pró, pré e simbióticos, no entanto, é sempre importante consultar um nutricionista para orientação de doses e tipo de alimento a ser utilizado, tanto para casos de manipulados ou adquiridos na alimentação. 

Um consumo excessivo desses alimentos, sem uma orientação de um profissional, pode acarretar efeitos adversos como alguns distúrbios digestivos, dentre eles, inchaços, gases, infecções e até mesmo, desencadear algumas reações alérgicas. 

Como em muitas outras situações, é importante lembrarmos que, o consumo único e exclusivo de um alimento não promoverá a melhora esperada no organismo. É importante que o consumo esteja associado a mudanças do estilo de vida, com uma ingestão alimentar saudável e adequada, redução na ingestão de toxinas, medicamentos desnecessários e controle do estresse. 

Agora que já sabemos o que são e como atuam, vamos ver como os simbióticos podem ser incluídos na dieta.

Independente da finalidade, a rotina muitas vezes nos leva a optar por produtos manipulados para ajustes do organismo. Existe no mercado, uma infinita variedade de produtos e marcas que promovem o efeito simbiótico no trato intestinal. Consulte um nutricionista para saber se é recomendado a você.

Agora, se o seu caso é apenas o desejo de equilibrar a alimentação e usufruir de todos os benefícios que ela pode trazer, o consumo de leites, iogurtes e alguns queijos fermentados atuam na microbiota, promovendo o aumento das bactérias benéficas. 

Outros alimentos para obter efeito simbiótico

  • Kefir: já mencionado acima, o kefir é semelhante ao iogurte, sendo uma combinação de leite e grãos fermentados. O kefir é uma alternativa de consumo para pessoas vegetarianas ou também para os intolerantes à lactose. O kefir pode ser utilizado como base para demais produtos como queijos e sobremesas, ou também para preparações salgadas, como omeletes e panquecas, por exemplo.
  • Chucrute: feito a partir de repolho fermentado e outros vegetais, é rico em ácidos orgânicos, proporciona alimentos com um sabor mais ácido e promove o crescimento de bactérias benéficas no organismo. 
  • Kombucha: bem explorado dos últimos anos para cá, o kombucha é uma bebida feita a partir da fermentação do chá preto. É uma colônia simbiótica de bactérias e leveduras e promove aumento de energia, desintoxicação do fígado e também, suporte digestivo. 
  • Chocolate amargo: os chocolates com 70% cacau ou mais são naturalmente fermentados. É um alimento fonte de pre e probióticos e converte o açúcar em compostos anti-inflamatórios.

Conclusão

Para ter os efeitos de uma determinada substância não precisamos necessariamente recorrer a opções manipuladas. Os efeitos de um produto simbiótico podem ser conseguidos também a partir de uma dieta equilibrada e ajustada ao nosso organismo. 

Além de auxiliar no emagrecimento, os simbióticos promovem toda uma melhora no sistema intestinal e as consequências serão benéficas em muitos aspectos, principalmente para a saúde.   

Aline Marques

Nutricionista

Graduada em Nutrição pela UNICAMP e pós-graduanda em Nutrição Materno infantil. Possui experiência em palestras para escolares com foco em educação nutricional, elaboração de projetos e cardápios para escolas e atendimentos clínicos personalizados. Praticante de ballet clássico acredita que a alimentação balanceada aliada à atividade física promovem saúde e bem-estar.

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