Treino em jejum ajuda a queimar gordura: mito ou verdade?

Compartilhe esse artigo!
Por  Mariane Savassi  |  Nutricionista - CRN 43720 Publicado em 14 de abril de 2016 | Atualizado em 03 de agosto de 2018

Treino em jejum: nos últimos tempos muito tem se falado sobre esse método mas, afinal, será que ele ajuda mesmo a queimar gordura? Continue lendo e descubra!

Todas sabem que para manter a boa forma é preciso cuidar da alimentação. Tomar um café da manhã reforçado para quem vai se exercitar, em seguida, faz parte desse conceito básico. No entanto, uma nova “moda” fitness surgiu, trata-se do treino em jejum.

O método é bem simples: ao acordar você troca de roupa e vai direto para o treino, em jejum.

Mas será que esse método é bom para a nossa saúde? É possível alcançar um emagrecimento saudável aderindo a este método? Continue lendo esse artigo e descubra!

Afinal, treino em jejum emagrece?

O método de fato ajuda a emagrecer, mas não de forma eficaz. Isso acontece devido ao fato de que, no treino em jejum, o nosso corpo utiliza a gordura como fonte de energia, mas para que isso ocorra ele precisa do carboidrato.

Como em jejum o carboidrato, fonte de energia principal, não estará disponível, o nosso corpo será obrigado a utilizar a massa muscular como fonte de energia.  Logo, podemos concluir que essa é uma troca ruim.

Contudo, não se pode afirmar que o treino em jejum não emagrece de forma saudável e que é uma opção ruim, pois não existem evidências científicas suficientes para defender ou não este método.

Algumas pessoas se adaptam melhor a esta prática, outras para garantir o bem-estar durante os treinos, precisam se alimentar.

Para quem o treino em jejum é indicado

Quem deve fazer treino em jejum

O método ganhou notoriedade ao ser utilizado por atletas de fisiculturismo em fase de pré-competição, na qual precisam reduzir ao máximo o percentual de gordura.

Esses atletas possuem um nível de treinamento avançado e, geralmente, contam com uma equipe multidisciplinar, que inclui treinadores, nutricionistas e fisiologistas, que cuidam de toda a sua preparação.

É prática comum entre esses atletas, devidamente orientados por seus nutricionistas, a ingestão de uma quantidade considerável de carboidratos complexos (de baixo índice glicêmico) na noite anterior ao treino, um pouco antes de dormir.

Desta forma, acumulam um “estoque energético” em seus organismos, que se estende até a prática do aeróbico em jejum, na manhã seguinte. Daí vem a famosa hashtag #partiuAEJ (Aeróbico Em Jejum), comumente utilizada por esses atletas.

Portanto, pode-se concluir que esse método é indicado para atletas em estágio avançado de treinamento e, que queiram reduzir o percentual de gordura. Todavia, é fundamental que o método só seja aplicado mediante rigoroso acompanhamento multidisciplinar, ou seja, sob orientação de, pelo menos, um profissional de Nutrição e um profissional de Educação Física.

Mulheres não-atletas, porém em nível avançado de treinamento, podem adotar a prática para atingir um baixo percentual de gordura?

Entende-se por baixo percentual de gordura para mulheres, valores em torno de 14%. Nessa faixa obtém-se um excelente nível de definição muscular.

Para aquelas que tenham este objetivo e avançado nível de condicionamento tanto aeróbio (exercícios de longa duração), quanto anaeróbio (exercícios de curta duração e média a alta intensidade, como por exemplo, a musculação), o treino em jejum, pode sim ser indicado, porém somente para atividades aeróbicas.

O treino em jejum para exercícios anaeróbicos, como a musculação, é totalmente desaconselhado, pois irá utilizar a proteína como fonte de energia, degradando a massa magra.

Por ser uma prática que aumenta os níveis de cortisol e altera as taxas de glicose e insulina, não deve ser praticada com frequência e, jamais deve ser praticada por mulheres diabéticas e/ou mulheres em alto nível de stress.

Vale lembrar que neste tipo de treino, a prática de exercício não tem como objetivo principal o bem-estar físico e psíquico, mas sim, exclusivamente, a perda de gordura corporal.

Como se dá a queima de gordura no treino em jejum

A glicose é a principal fonte de energia em qualquer atividade física, e é a única fonte de energia para o sistema nervoso.

Em jejum, sem a glicose na corrente sanguínea vinda da alimentação pré-treino, o corpo usa um mecanismo de proteção que faz com que a praticante diminua a utilização da glicose e aumente a utilização de gordura.

A mulher que treina alimentada tem a perda de gordura ligeiramente diminuída durante a atividade física, pois tem glicose, vinda dos alimentos, para gastar.

Sendo assim, o corpo demora para começar a utilizar a gordura como fonte de energia. Isto significa que sim, em jejum, a queima de gordura é mais rápida.

Porém, é preciso deixar claro que esta queima só ocorrerá se feita a devida preparação na noite anterior, com a ingesta de carboidratos complexos, como mencionado anteriormente.

Quando o treino em jejum torna-se prejudicial

Quanto o treino em jejum torna-se prejudicial

Quando há exagero na intensidade do treino, ou quando é feito um jejum a longo prazo, o organismo não se contenta em queimar só a gordura, e passa também a usar os músculos como fonte de energia, o que leva a perda da massa magra.

Treinos em jejum de longa duração, ou de alta intensidade podem expor o corpo a riscos como: náusea, desmaio e hipoglicemia.

Isso acontece pois, nosso cérebro utiliza preferencialmente o açúcar (glicose) como fonte de energia e, na ausência de glicose, usa como combustível a gordura. Porém, nesse processo são formadas algumas substâncias chamadas corpos cetônicos, que são prejudiciais, pois podem elevar a acidez do sangue.

Durante a atividade, a ausência de nutrientes, pode também causar indisposição, visão turva e cansaço excessivo, prejudicando a atividade.

Cuidados a serem tomados quando se opta por fazer treino em jejum

Para as adeptas desse método os cuidados com a alimentação devem ser redobrados, pois somente os treinos em jejum não serão suficientes para alcance dos objetivos desejados.

A praticante deve manter-se bem hidratada antes e durante o treino e, após o treino, deve alimentar-se imediatamente.

Conclusão

Os estudos científicos em torno desse método ainda são bastante contraditórios. Apesar de comprovado que existe sim uma perda de peso, uma parte desta perda provém da proteína dos músculos, o que causa degradação da massa muscular.

Portanto, podemos concluir que esta é uma prática que deve ser adotada com extrema cautela e sob total acompanhamento profissional.

Quem quer queimar gordura precisa, primeiramente, se preocupar em treinar mais e comer melhor! Não é por treinar em jejum que os resultados serão sempre benéficos.

Vale lembrar que ir a um nutricionista, investir em rotina alimentar adequada e em atividade física regular – de preferência, apostando em algum exercício que também traga prazer – segue como escolha de estilo de vida para manter um corpo bonito e saudável.

Lembre-se de observar os sinais e obedeça sempre aos limites do corpo. E você já usou esse método? Conte nos mais um pouco nos comentários 😉

Não se esqueça de compartilhar este post!

Mariane Savassi

Nutricionista

Mariane Savassi, 29 anos, paulista, nutricionista personal diet, especializada em fitoterapia e suplementação clínica e esportiva e aprimorada em nutrição em cardiologia. Viciada em livros de receitas, chef amadora nas horas vagas e cinéfila gastronômica. Faz caminhadas regulares para controlar o corpo e a mente.

Artigos Relacionados

Não perca mais nenhum post!

Assine nosso blog e receba novos posts diretamente em seu e-mail.